terça-feira, 8 de junho de 2010

O despertar da civilização

Sensíveis à gravidade dos fenômenos causados pelo aquecimento global, diferentes setores da sociedade vêm despertando para a necessidade de mudanças

Viver de forma saudável nas cidades é fundamentla, diz Menegat.  João Mattos/JC

Viver de forma saudável nas cidades é fundamentla, diz Menegat. Foto: João Mattos/JC

Em Porto Alegre, se desenvolvem projetos de universalização do tratamento de esgoto e uso de diesel com baixo índice de enxofre. Em todo o Estado se multiplicam propostas voltadas à reciclagem e reutilização de resíduos, como a transformação de sobras de couro em fertilizante e o beneficiamento de materiais oriundos da coleta seletiva. Da mesma forma, os produtos orgânicos conquistam espaço no mercado e fortalecem a economia de dezenas de milhares de famílias em todo o País, possibilitando sua permanência no campo e preservando a biodiversidade. Contudo, o equilíbrio térmico do planeta somente poderá ser restabelecido, no longo prazo, por meio de transformações profundas na relação do homem com o ambiente natural.

Na visão do professor Rualdo Menegat, do Instituto de Geociências da Ufgrs, o aquecimento global não deve ser enfrentado como se o sistema planetário estivesse doente – este tem 4,6 bilhões de anos e seguirá incólume o seu rumo, apesar da pegada do homem. Segundo ele, tampouco a espécie humana será extinta. A raiz e o alvo da crise é a própria civilização. Resistente em utilizar seu conhecimento para adaptar-se ao planeta, a humanidade empreendeu sua aventura civilizatória tratando de tornar-se a espécie mais apta a dominar a natureza. Considerando-se civilizado, o homem teria perdido a perspectiva de sua evolução. “Estamos imersos no processo civilizatório e ele tem de ser o nosso horizonte. Uma humanidade sem horizontes caminha para onde? Não sabemos. Pode ser para o abismo. Pode não ser”, alerta.

Segundo ele, um passo importante a ser dado é reaprender a viver de forma saudável nas cidades. “Viver hoje na cidade é viver em risco”, pontua. “Tudo nos diz que é bom mudar esse modo de existir, um modo de excessivo consumo, uma perda de consciência da existência da natureza e uma aposta cega na tecnologia”, diz Menegat, acrescentado que o aquecimento da Terra é um problema cultural – “a tecnologia não vai resolver”. Nesse sentido, considera a educação a principal ferramenta para a construção de uma nova cultura planetária, voltada ao não desperdício e à valorização da natureza.

Para o professor-associado do Departamento de Engenharia Civil da Ufrgs Luiz Antônio Bressani, as soluções possíveis passam pela mudança da matriz energética e da forma de utilizar a energia gerada. Sem diminuição dos níveis de consumo, a permanência do homem no planeta se tornaria inviável. “Os Estados Unidos consomem algo como dez ou 15 vezes mais energia do que um país razoavelmente desenvolvido. Se a gente quiser aquele padrão, não tem como. É o mais insustentável”, observa.

Um aspecto abordado tanto por Bressani quanto por Menegat é que as nações mais afetadas pelas consequências do aquecimento global são as menos desenvolvidas. “As populações mais pobres da África, que menos causaram mudanças climáticas, são as que mais vão sofrer com as mudanças”, ressalta Bressani. A fragilidade dessas populações, segundo Menegat, deve ser o foco das preocupações, tendo em vista que os fenômenos causados pelas alterações no clima resultam em enormes perdas materiais e humanas. “Estamos falando de 230 mil mortos por vez”, enfatiza. Bressani também questiona se os países mais desenvolvidos tomarão as medidas necessárias para evitar a tempo a catástrofe, uma vez que, localizados em climas temperados, não sentirão os efeitos do aquecimento na mesma intensidade que os países tropicais. “Eles vão ter mudanças, mas economicamente elas vão interferir menos, a curto prazo. A médio prazo, todo mundo vai ser afetado.”

Governança global é um desafio da crise

A convulsão social e as vultosas perdas econômicas decorrentes do aquecimento global colocarão à prova, cada vez mais, a capacidade de gestão dos governantes. O risco, segundo os professores da Ufrgs Luiz Antônio Bressani e Rualdo Menegat, é de que a crise ambiental gere uma crise de governança. “A crise ambiental vai botar à mostra toda a nossa incapacidade de gerir um sistema complexo como é a Terra”, destaca Bressani. Se o poder público não for capaz de administrar os riscos dos desastres naturais, a tendência é a população perder a confiança. Isso, segundo Menegat, levaria ao caos social. “Se você desacredita nas instituições sobra o estado selvagem, cada um por si”, enfatiza. Para ele, é preciso que o Estado se empenhe no diálogo com os cidadãos, incentivando a participação e a discussão conjunta das soluções possíveis. “A governabilidade da sociedade não está só na contabilidade das cadeiras dentro do Senado. Daqui para frente, governabilidade será também como as instituições serão capazes de responder ao descontrole dos ambientes urbanos, porque, com o aquecimento global, tudo entra numa crescente deterioração.”

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=30103 - sítio acessado em 08/06/2010 às 17:54h.
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quinta-feira, 22 de abril de 2010

Superação do embate entre capitalismo e socialismo

Devemos aprender com as experiências dos outros. Assim, evitaríamos aprender apenas com as lições que a própria vida nos dá, porque elas são muito mais caras. Dito isso, incomoda demais saber que ainda há alguns que se abrigam atrás das teorias incensadas do Capitalismo e do Socialismo, como se essa dicotomia ideológica ainda tivesse razão de ser. Só para quem não sabe que o mundo mudou e, com ele, os modelos econômicos engessados, que morreram. O início do Capitalismo foi na Inglaterra, através da Revolução Industrial. O Socialismo científico ou comunismo tem como precursores Karl Marx e Friedrich Engels, com a publicação do Manifesto Comunista, que explica os fatos que formariam a desigualdade social. Através desse trabalho apresentaram uma teoria onde seriam eliminadas as classes sociais. As pessoas trabalhariam de forma mútua para o bem comum. Tomado no contexto de exploração por regimes monárquicos absolutamente incompetentes e que desdenhavam da população que os sustentava, dá para entender a Revolução de 1917 na Rússia. Repetiu-se, na Rússia, a Queda da Bastilha, na França. Mas tanto o Capitalismo quanto o Socialismo acabaram por escoimar seus erros e rumaram para um ponto onde os pensamentos paralelos por liberdade, igualdade e fraternidade se encontraram. Ou se encontrarão, no infinito. A democracia socialista é o sistema que mais se aproxima do bom Capitalismo, sem os extremismos do Socialismo puro. Da mesma forma evita o endeusamento do mercado, do consumo e das desigualdades sociais que a exacerbação desses dois modelos ocasiona. Pela obstinação dos socialistas ingênuos e dos capitalistas da Terra do Nunca, todos alegam ter razão quando, em verdade, apenas têm paixão pelos seus ideais. O presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Leonardo Fração, que promoveu o Fórum da Liberdade, afirmou que a diferença do ladrão para o governo, é que o primeiro não pede para sancionar o seu ato. Para o presidente o IEE, mais intervenção traz mais desigualdade e não existe sistema mais justo que o Capitalismo. O evento promoveu debate sobre seis questões: Capitalismo, Socialismo, inflação, política e ideias, intervencionismo e investimento estrangeiro.

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) desintegrou-se há 20 anos e provocou um estrondo que só não foi ouvido pelos fanáticos do atraso. Porém, serviu como pretexto para que os obcecados pela economia de mercado julgassem que o Capitalismo reinaria por mil anos. Não, não, o Capitalismo também teve graves percalços, na quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. Agora, a derrocada da economia do mercado sem regras e sem fiscalização acabou por implodir a maior economia, a dos Estados Unidos, em 2007/2008. O que desejam, hoje, os capitalistas e os socialistas de bom-senso, é a inclusão social. Crianças de todas as classes nas escolas em famílias estruturadas, morando em casas próprias e cujos integrantes tenham um emprego. Parece uma simplificação, mas as coisas mais importantes da vida são simples assim. Enfim, a soberba não é menor nos pobres que nos ricos, mas as necessidades e dependência dos primeiros a comprimem de maneira que mal se descobre ou aparece muito resumidamente. Por isso é nas revoluções populares que ela faz a sua explosão. Nada mais parecido com o Capitalismo que o Socialismo pós-URSS. É só refletir sobre as metas de ambas as ideologias.

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=25543&codp=1451&codni=3 – sítio acessado em 14/04/2010 às 09:07h.

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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

O sentido da vida



Porque estamos aqui? Em algum momento já nos deparamos com esta pergunta, ou já pensamos à respeito, com maiores ou menores pretensões. De diversas maneiras já se tentou responder a este questionamento: pela religião, pela filosofia, pela história, pela ciência e por outras tantas. Podemos muito bem viver sem nos fazer esta indagação e sem respondê-la. Mas, àquele que se propõe pensar à respeito, a vida se expande de tal maneira que se descortina aos seus olhos um leque de possibilidades. Porque a resposta àquela pergunta torna-se o fio condutor da vida, o seu horizonte, o seu alvo, o ideal a ser perseguido incansavelmente mesmo que, às vezes, não alcançado. Qual o sentido da vida? Esta é uma questão que deve ser respondida individualmente.

A vida é efêmera e transitória. Mesmo que, aos nossos olhos, oitenta anos pareçam uma eternidade, não passam de um um grão de areia no tempo que ocorreu, que ocorre, que ocorrerá. E não temos capacidade alguma de intervir neste fluxo, por mais que queiramos acreditar que sim. Somos finitos e estamos à mercê de Cronus. Então, o que fazer com o tempo que temos aqui? Muito temos valorizado o fim em detrimento do caminho a ser percorrido. Todo e qualquer sentido é retrospectivo. Quando estivermos prestes a pagar as moedas ao barqueiro é que poderemos responder as indagações sobre a vida. A relevância dos nossos atos responderá pelo sentido desta. E responderá a quem? A nós mesmos e a ninguém mais. Se olharmos para trás, no derradeiro momento, e formos capazes de reconhecer relevância no decurso de nossa vida, se nos convencermos da nossa resposta, então todo o esforço será recompensado e a vida fará sentido. É nisso que eu acredito.

E é por isso que devemos valorizar a jornada. Se o sentido da vida é reconhecido olhando-se para trás, o caminho torna-se a via condutora para tal epifania. A estrada nada mais é do que a própria vida. São os nossos ideais que nos guiam pelo labirinto desta. Sem eles não passaremos de navios à deriva, de fatos desconexos sem relevância alguma. Acreditar e viver! Eis a chave para o enigma! Por mais irrelevante que possa parecer aos olhos alheios, acredite nos seus ideais. Defenda-os com todas as tuas forças, mesmo quando não houverem mais esperanças de realização. Mesmo quando te achincalharem, não esmoreça. Se o preço a ser pago para que possamos nos orgulhar de nós mesmos é o de sermos taxados como os maiores idiotas do mundo, que assim seja. E bem-vindo ao clube!

"Se não acreditar que pode salvar o mundo, não poderá salvar nem a si mesmo.
Se não acreditar que pode mudar este mundo, crie o seu."


Obs 1: esta reflexão me ajudou a economizar alguns trocados que seriam gastos ou com o psicólogo ou em cerveja.
Obs 2: agradeço aos guris da Tópaz (www.fotolog.com/bandatopaz) pelo hino (ao menos para mim) "O maior idiota do mundo".
Obs 3: e também a Dona Clarisse (espero que seja com dois esses, mesmo), mãe da minha cunhada Karine, simplesmente por ter dito: "Ele é um cara que quer mudar o mundo". Eu havia esquecido disto.
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